20.
A QUESTÃO DE ATOS 15
A reunião com a kehilah
em Yerushalayim (Jerusalém) registrada em Atos 15 não teve objetivo de anular a
Lei, mas deixar claro que a Lei não salva. Pois a kehilah não pode fazer isso.
Atos
15
1 Alguns indivíduos que desceram de
Y’HW’dah [da Judéia] ensinavam aos irmãos: Se
não vos circuncidardes segundo o costume de Mosheh [Moisés], não podeis ser salvos [libertos].
Logo o problema não é
que eles estavam colocando a Circuncisão e a lei como meio de salvação, e
sabemos que quem nos salva é Elohim, através do Messias. Portanto aqui neste
texto de Atos 15 não vai ser discutido a importância de obedecer a Elohim por
amor, mas se a salvação é fruto do esforço individual em fazer a circuncisão e
guardar a Lei de Moisés.
Atos
15
5 Insurgiram-se, entretanto, alguns do partido [da seita] dos purushim [fariseus]
que haviam crido, dizendo: É
necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a Torah de Mosheh [a Lei
de Moisés].
Esse grupo de fariseus
achava que isso era necessário para que? O verso 01 lido a cima deixa claro que
eles achavam que a circuncisão e a observância da Lei era necessário primeiro
para só depois serem salvos [libertos].
A conclusão é que tanto
Y’HW’dim (Jedus) e gentios são salvos pelo Messias:
Atos
15
11 Mas cremos que [nós Judeus] seremos
salvos pelo favor imerecido [chesed] do Senhor YaHW’shua Ha'Mashiach, como eles
[os gentios] também.
Mas isso, não significa
uma fé morta, sem obras, semexercício de obedi~encia, então, são dados como
exercícios iniciais os seguintes deveres obrigatórios:
Atos
15
19 "Portanto, julgo que não
devemos pôr dificuldades [pertubar] aos
gentios que estão fazendo
Teshuvah [estão se convertendo] a Elohim.
20 Pelo contrário, devemos escrever a eles,
dizendo-lhes que se abstenham de
comida contaminada pelos ídolos [contaminações dos ídolos], da imoralidade
sexual, da carne de animais estrangulados [do que é sufocado] e do sangue.
21 Porque, desde os tempos antigos, Moisés [Moisés – ou seja, a Torah (Lei)] é pregado em todas as
cidades, sendo lido nas sinagogas todos os sábados".
É curioso que destas quatro
proibições, três estão relacionados a proibição de comer certos alimentos. Uma
disciplina difícil para os estrangeiros acostumados a comerem de tudo. Com a
finalidade de aprender a exercitar o domínio próprio.
Isso também prova que
não se pode comer de tudo, nem que se orar e abençoar pode comer e pronto, nem
que se deve usar a frase do Messias para se comer de tudo dizendo “o que
contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai do coração”, pois
quando alguém decide se rebelar e comer do que Elohim proibiu está tomando uma
atitude pecaminosa que procede do coração.
Se a frase do Messias
significasse que poderia comer de tudo, por que seria pecado comer das coisas
sacrificadas aos ídolos, e da carne de animal sufocado e do sangue? É obvio que
a frase do Messias não contraria os mandamentos do Pai, mas significa que o ato
de comer do proibido não contamina pelo elemento que entra, mas pela atitude
rebelde de comer o proibido, e essa decisão procede do coração, e contamina o
homem.
Atos
21
25 Quanto aos aos que creem dos gentios,
já lhes escrevemos a nossa decisão de *que
eles devem abster-se de comida
sacrificada aos ídolos, do sangue, da carne de animais estrangulados e da
imoralidade sexual".
*A
frase “que nada disto observem; mas que só se” incluído em algumas versões não
consta no manuscrito grego utilizado, sendo um acréscimo, uma adulteração. É
óbvio que os gentios não devem matar, roubar, proferir falso testemunho...
Então não existe este “que nada disto observem; mas que só” as 04 proibições,
pois com o tempo eles deveriam crescer no conhecimento e na obediência por
amor.
Mas o texto deixa claro
que os Gentios semanalmente, a cada shabat, iriam aprender sobre Mosheh, e
portanto, a obediência viria por amor e não por perturbação:
Atos
15
19 "Portanto, julgo que não
devemos pôr dificuldades [pertubar] aos
gentios que estão fazendo
Teshuvah [estão se convertendo] a Elohim.
20 Pelo contrário, devemos escrever a eles,
dizendo-lhes que se abstenham de
comida contaminada pelos ídolos [contaminações dos ídolos], da imoralidade
sexual, da carne de animais estrangulados [do que é sufocado] e do sangue.
21 Porque, desde os tempos
antigos, Moisés
[Moisés – ou seja, a Torah (Lei)] é pregado em todas as cidades, sendo lido nas
sinagogas todos os sábados".
É obvio que ninguém em
sã consciência vai interpretar este texto como se os gentios deveriam pelo
resto da vida apenas observar estas quatro coisas e desprezar o restante da
Torah [da Lei], ou seja, matar, roubar, usar o Nome de YaHWeH de forma vã,
cobiçar os bens dos próximos, não amar Elorim acima de todas as coisas e nem
amar ao próximo como a si mesmos, etc.
O que o texto está
falando é um ponto de partida, para exercitar a obediência, pois a fé sem as
obras é morta, e pode porventura este tipo de fé, morta, salvar?
O texto está falando
para o "novo convertido" o que “está se convertendo” vindo das
nações, aqueles que estão iniciando a teshuvah. É obvio, que quando alguém
inicia a teshuvah não derramemos um monte de "nãos" ele irá
aprendendo aos poucos, a cada semana a exercitar a fé que o salvou em
obediência, mantendo, assim, a emunah [fé] viva.
Vejamos que o texto se
refere aos que estão fazendo teshuvah (que estão se convertendo), ou seja, um
início de processo, visto que a teshuvah não é um ato isolado, mas uma
caminhada:
Atos
15
19 "Portanto, julgo que não
devemos pôr dificuldades [pertubar] aos
gentios que estão fazendo Teshuvah [estão se convertendo]
a Elohim.
A NVI traz este
expressão Atos 15:19 “Portanto, julgo que não devemos pôr dificuldades aos gentios
que estão se convertendo...”
E por que a kehilah
definiu as quatro obrigações iniciais? Porque a verdadeira Teshuvah (retorno ao
Senhor e seus mandamentos - arrependimento) requer frutos dignos:
Matit’YaHW
[Mateus] 3
8 Produzi,
pois, frutos dignos de arrependimento;
Ya'akov
[Tiago] 2
14 Meus irmãos, que aproveita se
alguém disser que tem emunah [fé], e não tiver as obras? Porventura a emunah [fé] pode salvá-lo?
20 Mas queres saber, ó homem fraco [vão],
que a emunah [fé] sem as obras é
morta?
22 Bem vês que a emunha [fé] cooperou com as suas obras, e que pelas obras a a emunha [fé] foi
aperfeiçoada.
24 Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e
não somente pela emunah [fé].
Somos salvos pelo
Messias, a fé não salva, a fé é um meio que Ele utiliza, mas é Ele que nos
salva pela sua misericórdia, pelo seu favor imerecido, a fé é o meio, mas essa
fé tem que ser viva, e a fé só é viva quando produz obras. A emunha [fé] coopera
com as obras, e as obras aperfeiçoa a emunha [fé].
Nem os Judeus nem os
Gentios são salvos pelos próprios esforços em cumprir a Torah [a Lei], mas isto
não quer dizer que deveria depois de serem salvos pelo favor imerecido viver
uma vida de desobediência à Torah [à Lei] de Elohim. Pois os mandamentos devem
ser cumpridos por amor:
Yochanan
[João] 14
15 Se me amais, guardai os meus mandamentos.
21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e
aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a
ele.
24 Quem não me ama não guarda as
minhas palavras; ora, a palavra que
ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou.
Yochanan
[João] 15
10 Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho
guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.
Como a fé sem obras é
morta, a Kehilah esclareu que os gentios deviam demonstrar essa fé inicialmente
cumprindo estes 04 requisitos básicos (necessários). Para aprender que não é
uma fé vazia sem resultados práticos que altere a vida, que implica sim em
obediência a mandamentos, e o restante da Torah eles aprenderiam aos poucos.
Afinal ninguém deve
concluir aqui que os gentios só devessem se ater pelo resto da vida apenas a
estes 04 mandamentos e pudessem matar, roubar, desonrar pai e mãe, usar o Nome
de YaHWeH falsamente (vã), cobiçar os bens do próximo, dar falsos testemunhos,
etc. É obvio que se trata de um ponto de partida.
Pois o texto dá um
motivo pelo qual só aponta estes 04 mandamentos, tem um porque, vejamos:
Atos
15
19 "Portanto, julgo que não
devemos pôr dificuldades [pertubar] aos
gentios que estão fazendo
Teshuvah [se convertendo] a Elohim.
20 Pelo contrário, devemos escrever a eles,
dizendo-lhes que se abstenham de
comida contaminada pelos ídolos [contaminações dos ídolos], da imoralidade
sexual, da carne de animais estrangulados [do que é sufocado] e do sangue.
21 Porque, desde os tempos
antigos, Moisés [Moisés – ou seja, a
Torah (Lei)] é pregado em todas as cidades, sendo lido nas sinagogas todos os
sábados".
O porquê é que não era
necessário colocar tudo de uma vez, porque a cada shabat (sábado) nas Sinagogas
a Torah de Moshe (Lei Moisés) é ensinada. O Nosso povo (Yisra’EL) dividiu a
Torah em 54 partes, e como o Ano Hebreu possui 54 sábados, cada parte era lida
em um sábado, assim, em um ano toda a Torah era estudada, passo a passo, aos
poucos, sábado a sábado. Assim, em 01 ano eles teriam um maior conhecimento
para uma obediência com entendimento e não por um jogo sem compreensão.
Os estrangeiros
(gentios) também frequentavam as Sianagogas e por isso, a cada sábado
aprenderiam aos poucos a Torah, iriam crescer na obediência passo a passo,
demonstrando através das obras a emunah (fé).
Vejamos os textos que
evidenciam a presença dos estrangeiros nas Sinagogas:
Atos
13
14 De Perge prosseguiram até Antioquia
da Pisídia. No shabat (sábado),
entraram na sinagoga e se
assentaram.
15 Depois da leitura da Torah (Lei) e dos Neviim (Profetas), os
chefes da sinagoga lhes
mandaram dizer: "Irmãos, se vocês têm uma mensagem de encorajamento para o povo, falem".
16 Pondo-se de pé, Sha’ul (Paulo) fez
sinal com a mão e disse: "Israelitas
e gentios que temem a Elohim, ouçam-me!
Atos
14
1 Em Icônio, Sha’ul (Paulo) e Bar-Nabba
[Barnabé] entraram juntos na sinagoga
judaica e falaram de tal modo, que veio a crer grande multidão, tanto de judeus como de gregos.
Atos
17
1 E passando por Anfípolis e Apolônia,
chegaram a Tessalônica, onde havia uma
sinagoga de judeus.
2 E Sha’ul (Paulo), como tinha por costume, foi ter
com eles; e por três shabatot
(sábados) disputou com eles sobre as Escrituras,
3 Expondo e demonstrando que convinha
que o Ungido (Mashiach) padecesse e ressuscitasse dentre os mortos. E este YaHW’shua,
que vos anuncio, dizia ele, é o Ungido (Mashiach).
4 E alguns deles creram, e
ajuntaram-se com Sha’ul (Paulo) e Sila [Silas]; e também uma grande multidão de gregos religiosos, e não poucas mulheres de
alta posição.
Atos
17
10 E logo os irmãos enviaram de noite Sha’ul
(Paulo) e Sila [Silas] a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus.
11 Ora, estes foram mais nobres do que
os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se
estas coisas eram assim.
12 De sorte que creram muitos deles, e também mulheres gregas da classe nobre, e não
poucos homens.
Atos
17
17 Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios
piedosos; também na praça, todos os dias, entre os que se encontravam
ali.
Atos
18
4 E todos os shabatot (sábados) discorria na sinagoga,
persuadindo tanto judeus como gregos.
Não era fácil os irmãos
terem em casa rolos dos pergaminhos das Escrituras para estudarem na kehilah (congregação),
eram muito raros e caros, então, um meio apropriado para ouvir a leitura dos
textos era ir numa Sinagoga, pois elas tinham as cópias dos Livros produzidas
pelos escribas. A cada shabat era lida e explicada uma parte.
Portanto, era de se esperar que os gentios, a
cada sábado aprenderia aos poucos a Torah nas Sinagogas.
O Autor de Hebreus deixa
claro que os irmãos não deveriam deixar a sinagoga, como era o costume de
alguns.
Ivrim
(Hebreus) 10
25 μὴ ἐγκαταλείποντες τὴν ἐπισυναγωγὴν [episynagōgēn] ἑαυτῶν,
καθὼς ἔθος τισίν, ἀλλὰ παρακαλοῦντες, καὶ τοσούτῳ μᾶλλον ὅσῳ βλέπετε ἐγγίζουσαν
τὴν ἡμέραν..
25 Não deixando a nossa sinagoga, como é costume de alguns, antes
admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai
aproximando aquele dia.
Entretanto, no
português, este texto não foi traduzido como “sinagoga”, propositadamente, de
forma discriminatória, mudaram o nome para “congregação”, para descaracterizar
o que o texto realmente diz, veja como foi adulterado:
Ivrim
(Hebreus) 10
25 Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes,
admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai
aproximando aquele Dia. (João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida).
25 Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo
o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês
vêem que se aproxima o Dia. (Versão da NVI).
25 não abandonemos a prática de nos reunir, como é
costume de alguns, mas pelo contrário, animemo-nos uns aos outros, quanto mais
vedes que o Dia se aproxima. (Bíblia Almeida Século 21).
25 Não deixemos nossas assembleias, como alguns costumam fazer. Procuremos,
antes, animar-nos sempre mais, à medida que vedes o Dia se aproximar. (Bíblia
de Jerusalém).
Vemos acima, a confusão,
cada uma traduz de uma forma, e na verdade é o que? Congregação? Igreja?
Assembléia? Mas eles utilizaram o mesmo texto grego que diz “ἐπισυναγωγὴν
[episynagōgēn] ou seja, nossa sinagoga”.
Ora, onde os Hebreus congregavam?
– Na Sinagoga!
Eles não deveriam deixar
a Sinagoga, exceto, claro que se fossem expulsos dela.
Até em Yerushalayim
(Jerusalém) eles não abandonaram o Templo judeu, mesmo estando lá toda a cúpula
que mandou matar o Messias:
Atos
2
46 E, perseverando unânimes todos os dias no Beit Ha'Mikdash (casa
da Separação/Santidade – Templo), e partindo o pão de casa em casa, comiam com
alegria e singeleza de coração,
Outro ponto a ser
desmascarado é que essa decisão não foi de um Concílio, de uma panelinha de
“líderes”, mas uma reunião com toda a Kehilah (igreja) local, uma decisão
conjunta:
Atos 15
4 Chegando a Yerushalayim (Jerusalém),
foram bem recebidos pela kehilah
[igreja], pelos Emissários [apóstolos] e pelos Anciãos, a quem
relataram tudo o que Elohim tinha feito por meio deles.
22 Então os Emissários [apóstolos] e
os Anciãos, com toda a kehilah
[igreja], decidiram escolher alguns dentre eles e
enviá-los a Antioquia com Sha’ul [Paulo] e Bar-Nabba [Barnabé]. Escolheram Y’HW’daH
[Judá - Judas], chamado Barsabás [bar-Sabba], e Sila [Silas], dois líderes
entre os irmãos.
23 E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os Emissários
[apóstolos], e os Anciãos e os irmãos,
aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia, e Síria e Cilícia, saúde...
O texto é claro, embora
manipulado por muitos, para decidirem sozinhos as questões da kehilah, o texto
não deixa dúvidas: a Kehilah [igreja] recebeu os irmãos que foram apresentar a
questão, e participou da decisões, inclusive o de escolher os que iriam como
testemunha e sobre a carta que seria escrita e levada, e óbvio seu conteúdo.
Importante destacar em
Atos 15 que na questão analisada foram registradas as falas de duas pessoas:
Shimon Kefah (Simão Pedro) e Ya’akov (Tiago), um relatou sua experiência
pessoal que teve com o assunto, e o outro relatou com base na Escritura
(citando o Profeta Amós 9:11-12), ou seja, um equilíbrio, uma união entre
Experiência Pessoal e a Escritura. Temos que ter cuidado em tomar decisões
espirituais só com base em “experiências”.
Atos
15
13 E, havendo-se eles calado, tomou
Tiago a palavra, dizendo: Homens irmãos, ouvi-me:
14 Simão relatou como primeiramente
Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome.
15 E com isto concordam as palavras
dos profetas; como está escrito:
16 Depois disto voltarei, e
reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, levantá-lo-ei das suas
ruínas, e tornarei a edificá-lo.
17 Para que o restante dos homens
busque ao Senhor, e todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado, diz
YaHWeH, que faz todas estas coisas,
Amós
9
11 Naquele dia tornarei a levantar o
tabernáculo caído de Davi, e repararei as suas brechas, e tornarei a levantar
as suas ruínas, e o edificarei como nos dias da antiguidade;
12 Para que possuam o restante de
Edom, e todos os gentios que são chamados pelo meu nome, diz YaHWeH, que faz
essas coisas.
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