Durante os últimos anos, tive que ser trabalhado aos poucos pelo Senhor para rever a teologia que aprendi, e neste Blog estarei expondo as novas perspectivas aprendidas. Não foi fácil para mim romper com paradigmas tão profundamente enraizados, por isso, entendo que outros terão dificuldades também, e até inicialmente descordarão de muitos pontos, o que é natural. Apenas peço que busquem ao Senhor e não se fechem no próprio entendimento. As dúvidas e críticas construtivas poderão ser enviadas para o email: efatah7@gmail.com.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A B’RIT HADASHAH (NOVO TESTAMENTO) - Parte A

1.    LÍNGUA ORIGINAL DAS ESCRITURAS

Importância de conhecer um livro em sua língua original para melhor compreender o texto original e não o traduzido, que acaba tendo a influência da escolha do tradutor em usar uma determinada palavra do que outra, na tradução.

Importância de conhecer o contexto da época em que o texto foi escrito e a bagagem acumulada de conhecimento das Escrituras anteriores (o background).

1.1. Hebraico e Aramaico

Quase todas as Palavras das Escrituras foram ditas em Hebraico e Aramaico. E foram escritas originalmente nestes idiomas. Posteriormente foram traduzidas para outros idiomas, inclusive o Grego. Como se crer na Igreja Oriental.

Entretanto, para a Igreja Ocidental, prevalece a crença de que o “Novo Testamento” foi escrito inicialmente em Grego, e só depois traduzido para o Aramaico e Hebraico. E isto é defendido pela maioria dos Teólogos Ocidentais.

1.2. Grego

A língua grega permaneceu de grande importância, principalmente a partir do século XVI, com o movimento cultural denominado Renascimento, e especialmente pelos religiosos acadêmicos crerem que foi através da língua grega que o Novo Testamento foi originalmente escrito. Dai a necessidade de, ao longo dos séculos, ser tão importante para a Igreja o estudar e o aprender a cultura grega, pois para compreender melhor a língua de um povo é necessário aprender a cultura deste povo. Assim a cultura grega permanece viva.

Assim, muitos deixam de estudar a cultura Bíblica, no qual as palavras do Messias foram ditas, para aprenderem mais sobre o paganismo (pois muitas das palavras gregas têm suas origens e relações com os seres adorados na religião Grega), para, a partir da cultura grega, tentar conhecer melhor o Senhor. Uma incoerência! Para entender melhor o Grego requer entrar no pensamento Grego, no campo das ideias gregas.

1.3. O Principado da Grécia

Quem conhece um pouco sobre Batalha Espiritual sabe sobre o Principado da Grécia, e seu domínio que exerce sobre a mente humana ocidental, especialmente pela lógica, razão e filosofia. Assim é como que todo curso de teologia cristã tenha como matéria aprender o Grego.

Vemos com clareza que muitas escolas de Inglês trouxeram para o Brasil, através do ensino do idioma, a festa do Halloween. Pois é difícil dissociar o ensino da língua de sua cultura. É de forma parecida que o Principado da Grécia age nas Igrejas. Isso incomoda tanto os pensadores, que construíram suas teologias, teses, mestrados, doutorados..., durante anos, sobre uma falsa premissa. E é claro que o Principado da Grécia vai continuar fazendo o seu trabalho de arquitetar bem “razões lógicas” para manter sua primazia, do “Novo Testamento” em Grego.

1.4. Conflito entre culturas

Hoje é travado um conflito, entre as culturas greco-romana e a judaica, no campo doutrinário.

Os manuscritos originais do “Novo Testamento”, estão perdidos, destruídos ou bem escondidos. O que temos são cópias posteriores de manuscritos em aramaico e grego, e bem pouco de hebraico.

E para que conhece pouco destas línguas, o mais prático para um melhor entendimento é ao usar os textos já traduzidos para o idioma em português, utilizar várias versões, buscar pensar sobre o texto seu contexto judaico da época, e ao ler os textos, romper com o antissemitismo implantado pelo Principado da Grécia e pelo Principado de Roma, buscando do Senhor sabedoria, conhecimento e revelação.

É importante orarmos para que o Senhor levante pesquisadores, ungidos e capacitados pela Ruach Ha’Kodesh para produzirem melhores versões, o mais próximo possível do original. E quem sabe o Senhor trazer à tona os escritos originais, ou cópias idênticas deles.

É claro que o Senhor há de se alegrar em nossa disposição em procurar estudar com o que temos, na dependência dele, permitindo que ele rompa com os paradigmas e fortalezas na mente construídos sobre os fundamentos de Bavel, Média-Pérsia, Grécia, Roma e sua extensão (pés de ferro com o barro). Além de ser uma guerra espiritual, é também um confronto no campo das Ideias, uma batalha na mente:

“Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne, pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Elohim, para demolição de fortalezas; derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Elohim, e levando cativo todo pensamento à obediência ao Messias...” II Coríntios 10:3-5

“Uso poderosas armas de Elohim - e não as que são feitas por homens - para derrubar as fortalezas do diabo. Estas armas podem derrubar todo argumento arrogante contra Elohim e toda muralha que possa ser erguida para impedir os homens de encontrá-lo. Com estas armas posso capturar rebeldes e levá-los de volta a Elohim, e transformá-los em homens cujo desejo do coração seja a obediência ao Messias.” Bíblia Viva II Cor 10:4-5.

2.    A LÍNGUA E ESCRITA HEBRAICA

O hebraico era um idioma no qual eram escritas apenas as consoantes. As vogais eram faladas, mas não eram representadas na escrita.

Parece complicado, mas hoje fazemos essa supressão de sons quando estamos teclando na internet, no bate-papo: “
Td Blz c/ vc? Kd vc? Kkkkk, Tb q tc?”

Para a escrita hebraica não era importante registrar as vogais, e sim as consoantes.

2.1. O paleo-hebraico

Antes do cativeiro em Bavel o alfabeto dos Judeus era o paleo-hebraico.

 
Gênesis 1:1-5 em Paleo-hebraico (letra original) e em letras ashuritim (assírias).

O hebraico passou por modificações na sua ortografia e na construção das palavras. Por exemplo, a Torá foi escrita no paleo-hebraico (hebraico arcaico, o mesmo utilizado pelo Senhor ao escrever nas Tábuas de Pedra dos Dez Mandamentos), e foi utilizado até o período dos reis, quando mudou para o hebraico clássico ou pré-exílico. E depois, mudou para o hebraico pós-exílico ou tardio (aramaico), já no cativeiro em Bavel.

2.2. Hebraico Assírio (Ashuri)

O povo Judeu, em Bavel, passou a falar em aramaico e quando voltou para Israel, muitos judeus não falavam mais em hebraico, e sim, apenas em aramaico, com exceção, por exemplo, dos escribas. E da Babilônia os Judeus trouxeram a língua e a escrita assíria. Na verdade o alfabeto que é chamado hoje de hebraico é assírio (ashuri). Pois na Babilônia as letras do Hebraico Original caiu em desuso.

Quando os judeus saíram de Bavel, a maioria não falava mais o hebraico como língua corrente, nem entendia a escrita paleo-hebraica na qual estava escrita a Palavra do Senhor, mas apenas conheciam as letras ashuritim (assírias), exceto os mais doutos, os escribas e sacerdotes. Então, os escribas transliteraram letra por letra da Escritura, exceto o Tetragrama, para a escrita ashurit (assíria), conhecida como "aramaico babilônico" e utilizada pelos que falavam aramaico.

2.3. O Tetragrama mantido em Paleo-hebraico

Quando os escribas transliteraram as Escrituras para a escrita ashurit (assíria) o Tetragrama foi mantido em Paleo-hebraico.



Tetragrama mantido na escrita original paleo-hebraica

 

Ao traduzirem também as Escrituras para o Grego, o Tetragrama não foi traduzido, nem transliterado, nem substituído, mas mantido em Paleo-hebraico, da forma original ,conforme fragmentos da “Septuaginta”:


Septuaginta: 1º. Profeta Menor (50 a.C. a 50 d.C) e o 2º Jó 42 1º século a.C.

2.4. Textos criados originalmente em Aramaico

Algumas das Escrituras sobre o período do Cativeiro e Pós-cativeiro, possuem trechos já escritos inicialmente em aramaico: Dani’El 2:4 a 7:28, Ezrah (Esdras) 4:8 a 6:18; 7:12-26.

Todos os escritores que viveram depois do Cativeiro Babilônico (Ezrah, Nechemyah e os profetas pós-exílicos), passaram a escrever com as letras assírias, as quais passaram a ser denominada como "hebraico", até aos nossos dias.

2.5. A língua do Messias

Quando o Messias nasceu os Judeus já não falava o hebraico no dia-a-dia, mas o Aramaico, desde que voltaram do cativeiro babilônico há alguns séculos. O Hebraico era mais utilizado nas Sinagogas, nas leituras das Escrituras. Portanto, eram usados esses dois idiomas entre os Judeus, o Aramaico e o Hebraico.

Durante a época do Messias já havia uma diferença nas pronúncias entre os hebreus da Judéia e da Galileia:

“Kefa estava sentado no pátio quando uma serviçal, aproximando-se dele, disse: “Você também estava com YaHW’shua da Galil”... Pouco tempo depois, os que estavam por ali chegaram a Kefa e disseram: “Com certeza você é um deles! Seu sotaque não nega.” Matti’YaHW 26: 69 e 73 Bíblia Judaica

“De fato, também tu és um deles; pois o teu dialeto te denuncia.” Matti’YaHW 26: 73b Bíblia de Jerusalém

“Sem dúvida alguma, tu também és um deles! Aliás, o teu sotaque te denuncia.” Matti’YaHW 26: 69 e 73 Bíblia TEB

“Ora, Kefa estava assentado fora, no pátio; e, aproximando-se dele uma criada, disse: Tu também estavas com YaHW’shua, o galileu... E, daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Kefa: Verdadeiramente também tu és deles, pois a tua fala te denuncia.” Matti’YaHW 26: 69 e 73 Almeida Corrigida e revisada Fiel

“Mas ele o negou outra vez. E pouco depois os que ali estavam disseram outra vez a Kefa: Verdadeiramente tu és um deles, porque és também galileu, e tua fala é semelhante.” Marcos 14:70 Almeida Corrigida e revisada Fiel

2.6. Testemunho de Flavius Josephus

Nos tempos do Messias os hebreus da Judéia falavam em Hebraico/Aramaico. Os romanos, que moravam na Judéia (Governantes, Militares, etc.) falavam Grego, Latim e Aramaico para que os Judeus os entendessem. Alguns Judeus mais influentes sabiam falar Grego, principalmente os que nasceram ou viviam em outros países de cultura grega, mas a helenização não era bem vista pelos Hebreus da Judéia, conforme declara o historiador judeu Flavius Josephus, que viveu de 37 a 100 d.C.:

“Ouso afirmar que nenhum outro, quer judeu, quer estrangeiro, teria podido dar esta história aos gregos, escrita com tanta exatidão. Os da minha nação estão de acordo em que eu sou bem instruído no que se refere aos nossos costu­mes e às nossas tradições; não tenho motivo de lastimar o tempo que empreguei em aprender a língua grega, embora não a pronuncie com perfeição, o que nos é muito difícil, porque não nos aplicamos bastante a isso; entre nós, não apreci­amos muito àqueles que aprendem várias línguas. Consideramos esse estudo como profanos, pois convém tanto aos escravos como aos livres, e somente con­sideramos sábios os que adquirem um grande conhecimento das nossas leis e das Escrituras Sagradas, que eles são capazes de explicar, o que é coisa tão rara, que somente uns dois ou três, conseguiram essa glória.” (História dos Hebreus, Antiguidades Judaicas, Livro Vigésimo, Capítulo 9 - 866).

No cerco contra Yerushalayim, o Imperador Romano Tito convoca Flavius Josephus a tratar da rendição com os Judeus, porque este, judeu falava a língua dos judeus. Mas se os judeus falassem correntemente o grego, isso não faria sentido:

“Tito não tinha dúvidas em apoderar-se da praça, mas como desejava conservá-la, procurava, ao mesmo tempo, em que apertava o cerco, levar os judeus a se arrependerem de sua revolta, porque ele sabia que as razões são, às vezes, mais poderosas que as armas. Julgou dever unir os conselhos às ações, sem se obstinar mais recusando entregar-lhe uma praça que já deveriam consi­derar como tomada. Ele lançou para esse fim suas vistas sobre Josefo, que jul­gava o mais capaz de todos, para persuadi-los, porque era de sua nação e falava a sua língua.” (História dos Hebreus, Guerra dos Judeus contra os Romanos, Livro Quinto, Capítulo 25 - 415).

Flavius Josephus, busca auxílio com os amigos ao escrever seu livro, e declara vários judeus conheciam a língua grega, mas cita apenas nomes de pessoas da classe dominante:

“As­sim, tendo o material para minha história, trabalhei em escrevê-la, com o auxílio de alguns meus amigos, com relação ao que se referia à língua grega e tenho tanta certeza de só ter relatado a verdade, que não tenho receio de tomar como testemunhas do que eu escrevi ao mesmo Vespasiano e a Tito, que tinham o supremo comando dessa guerra. Eles foram os primeiros aos quais mostrei meu trabalho; mostrei-o depois a vários outros romanos, que haviam combatido sob suas ordens e depois que o publiquei, vários de nossa nação que conheciam a língua grega viram-no também, particularmente Júlio Arquelau, Herodes, tão recomendável por sua virtude, e mesmo o rei Agripa, esse excelente príncipe.” (História dos Hebreus, III Parte-Apêndice-Resposta de Flávio Josefo a Ápio,  Livro Primeiro, Capítulo 3)

2.7. Testemunho de Sha’ul

Em determinado episódio, quando o Emissário Sha’ul acabou de ser preso, ele se dirigiu ao Tribuno Romano em grego, o que gerou admiração, se fosse comum os judeus falarem grego, não geraria essa pergunta admirável. O fato dele saber o grego, pelo que parece, fez o Tribuno atender ao pedido de Sha’ul de deixa-lo falar com o povo. Entretanto, ao falar com seu povo, ele falou em Hebraico, muitos consideram que na verdade ele falou em aramaico, entretanto creio que como o Hebraico era utilizado mais solenemente na Sinagoga na leitura das Escrituras, creio que ele falou mesmo em Hebraico, o que reforça o silêncio que o povo fez quando o ouviu falar assim.

 “E, quando iam a introduzir Sha’ul na fortaleza, disse Sha’ul ao tribuno: É-me permitido dizer-te alguma coisa? E ele disse: Sabes o grego? Não és tu porventura aquele egípcio que antes destes dias fez uma sedição e levou ao deserto quatro mil salteadores? Mas Sha’ul lhe disse: Na verdade que sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo. E, havendo-lho permitido, Sha’ul, pondo-se em pé nas escadas, fez sinal com a mão ao povo; e, feito grande silêncio, falou-lhes em língua hebraica, dizendo: Homens, irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós (E, quando ouviram falar-lhes em língua hebraica, maior silêncio guardaram). E disse: Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamali’EL, instruído conforme a verdade da Torah de nossos pais, zeloso de Elohim, como todos vós hoje sois.” Atos 21:37-40 e 22:1-3

A cidade de Tarso, por volta de:

·         850 a.C., tornou-se parte do Império Assírio.

·         605 d.C. passou a ser dominada pelo Império Babilônio.

·         540 d.C. fez parte do Império Persa.

E o Aramaico era o idioma falado por estes 03 impérios. Moedas de Tarso, do Século I d.C., descobertas por arqueólogos, possuem texto em aramaico, o que evidencia que  o idioma de Tarso era aramaico e não grego.

Portanto, o fato de Sah’ul também falar em Grego não é necessariamente pelo fato de ter nascido em Tarso, mas provavelmente por motivos também não expostos.

2.8. O Messias fala com Sha’ul em Hebraico/Aramaico

O Messias escolheu se revelar a Sha’ul em Hebraico, não em Grego, foi em Hebraico que ele disse seu Nome:

“E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: Sha’ul, Sha’ul, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou YaHW’shua, a quem tu persegues.” Atos 26:14-15

2.9. Testemunhos arqueológicos

Todas as moedas de Bar Kochba cunhadas pelos judeus durante a revolta (132 d.C), possuem apenas inscrições em hebraico. Como ocorre em diversas inscrições encontradas em Massada, na área do Beit HaMikdash, etc.

A maioria dos Manuscritos do Mar Morto está em hebraico e aramaico. Inclusive todas as cartas de Bar Kochba estão em hebraico, exceto duas cartas, que foram redigidas por gregos, que por não saberem escrever em hebraico, pedem desculpas. Estes registros utilizam o hebraico com certo grau de coloquialidade, o que reflete a evolução da língua hebraica. Além disso, as cartas de Bar Kochba, que era galileu, indicam um dialeto hebraico da região da Galiléia.

2.10.    Judeus na Idade Média

Com a dispersão dos Judeus pelas nações, os escribas judeus, Massoretas, na Idade Média, criaram um sistema de inclusão de sinais para acrescentar as vogais no texto hebraico que só possuía consoantes, sem introduzir novas letras, mas apenas sinais (pontos, traços, etc.); para que a pronúncia da língua hebraica não fosse perdida, já que o idioma hebraico não era mais usado correntemente, mas apenas falado por poucos, especialmente nas leituras das Escrituras nas sinagogas.

שמים SMYM שָמִָ֑יִם ShaMaYiM = Céus

 

O mais conhecido sistema vocálico é o Tiberiense, desenvolvido entre os séculos VIII-X d.C.

Portanto, com tantas mudanças, contatos com outros povos, gerações vividas em outras nações, não há como saber se as pronuncias das palavras continuam as mesmas do início do idioma, pois como toda língua é viva, ela evolui, muda com o tempo. Isso se aplica inclusive aos nomes de pessoas e lugares. O que podemos é fazer tentativas de pronunciar os nomes o mais próximo possível do original, com as informações que temos, mas sem dogmatismos.

Como em outros idiomas, atualmente ainda há diferença entre os que falam hebraico, quanto ao sotaque, principalmente entre os do oriente e do ocidente.

3.    A SEPTUAGINTA – O GREGO

Septuaginta é o nome dado à tradução das Escrituras judaicas para a língua grega, realizada entre o século III e I a.C..

Porém, a tradução grega das Escrituras judaicas, só veio a ser chamada de Septuaginta no século V d.C. (período em que viveu Agostinho de Hipona, 354-430 d.C.).

Embora seja uma tradução em Grego, o seu nome, Septuaginta, é latim, e provém da expressão: “Interpretatio septuaginta virorum”, ou seja, "tradução dos setenta intérpretes", logo, Septuaginta significa Setenta. E é a mais antiga tradução das Escrituras judaicas para a língua grega.

O nome Septuaginta (Setenta) tem origem em uma crença, entendida hoje por muitos como uma lenda, descrita na Carta de Aristeias (pseudepigráfica) na qual o grego Ptolomeu II Filadelfo, rei do Egito, pediu para setenta e dois sábios judeus que fizessem a tradução da Torah para a língua grega, para a Biblioteca de Alexandria. Outro relato posterior, também considerado por muitos como uma lenda, de Fílon de Alexandria, que conta que os 72 sábios judeus foram colocados em 72 salas, separadas, e que todas as 72 traduções resultantes foram iguais, e que concluíram num prazo impressionante de 72 dias. A lenda parece, assim, induzir a uma crença de inspiração sobrenatural das traduções para a Septuaginta, agregando a elas total credibilidade.

Muitos apesar de crer que estes relatos são lendas, acreditam que realmente houve uma tradução grega das Escrituras Judaicas produzida antes do nascimento do Messias, séculos antes. Mas para outros isto é questionável, visto que esta tradução (Septuaginta) nunca foi encontrada que datasse antes de Orígenes (185 - 253 d.C). Os códices mais antigos da Septuaginta (Vaticanus e Sinaiticus) são do século IV d.C.

Entretanto, Flávio Josefo, historiador judeu, que viveu no século I d.C., escreveu que sábios judeus traduziram no século III a.C. a Torah para a língua grega (História dos Hebreus Capítulo 2 - 454) e que no decorrer dos dois séculos seguintes outros livros também foram traduzidos, mas ele não relata  onde e quando foi feita cada tradução. Muito menos não se pode afirmar que a versão em grego a qual ele se referia é a que conhecemos como Septuaginta.

Além disso, não se sabe quais os critérios que foram utilizados na escolha de quais Escritos deveria fazer parte da Septuaginta e quais Escritos Judaicos ficariam de fora.

3.1. Diferença entre a Septuaginta e o Texto Massorético

A Escritura Judaica hoje é baseada no texto massorético, que tem diferenças para com a Septuaginta. Mas hoje, com as descobertas dos pergaminhos do Mar Morto a questão da fidelidade do texto massorético ao original hebraico é questionada, pois muitos destes pergaminhos estão mais de acordo com a Septuaginta. O que pode indicar que a Septuaginta pode ter sido realmente uma tradução criteriosa dos Escritos Judaicos mais originais, dos quais os pergaminhos do Mar Morto também possam ter si utilizado, que o texto massorético pode não ser o mais próximo do original.

3.2. A Vulgata Latina

A Vulgata Latina foi a tradução da Septuaginta Grega para o Latim e do “Novo Testamento” Grego também para o Latim.

Durante a Idade Média a Vulgata Latina foi a versão oficia das Escrituras para a Igreja Romana, (Igreja Ocidental, Católica) e a Septuaginta estava fora de uso. Até mesmo a cerimônia religiosa era celebrada em Latim.

3.3. O Renascimento

No século XVI, com o Renascimento, ressurge o interesse pela cultura e língua Grega, e consequentemente pela Septuaginta e pelo Novo Testamento em Grego.

3.4. Os Manuscritos de Qumran

No século XX, com os manuscritos encontrados em Qumran, o interesse pela Septuaginta aumentou.

Um comentário:

  1. Bom texto, gostaria apenas das fontes biográficas referentes as fotos dos fragmentos de manuscritos que vc postou no texto. Apenas repetindo que seu texto está muito coeso. Parabéns

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